Saiba como orientar o paciente no uso correto de cicatrizantes

Após a realização de um procedimento cirúrgico ou de sofrer um corte ou lesão, causado de formas diversas, é comum que o paciente busque maneiras de minimizar o efeito estético da cicatriz na pele. 

Para isso, ele vai em busca de produtos cicatrizantes e fórmulas mágicas para que aquela marca desapareça rapidamente do seu corpo. Em casos mais severos, recorrem a procedimentos cirúrgicos para minimizar ou mesmo eliminar a presença da cicatriz na pele.

Nesses casos, o papel do médico é orientar sobre a forma correta de cuidado durante a cicatrização da pele, de acordo com o tamanho e região do ferimento ou corte. Cirurgias, machucados, tatuagens, e até mesmo acnes, podem deixar lesões na pele. Quando essas lesões não são bem cuidadas, podem ocorrer alteração da textura da pele, resultando em uma cicatriz indesejada e diferente do que se esperava.

Veremos que são vários os motivos que podem tornar a cicatrização lenta. Além do tipo do ferimento ou cirurgia, o local onde a lesão foi causada também interfere no tempo de cicatrização. Locais onde o movimento é maior, como joelho, cotovelo e regiões de dobra, no geral, levam mais tempo para sarar. Por isso, precisam de um cuidado maior e por mais tempo. 

Outro motivo que pode levar a um resultado de cicatrização indesejado na pele, além da falta de cuidado devido na região, é o uso de produtos inapropriados para a sua reversão. Ou seja, as causas da má cicatrização tanto estão ligadas a fatores que independem da ação do paciente, mas também há fatores que dependem da ação dele.

Por isso, neste artigo, vamos dar algumas dicas de como orientar o paciente no tratamento da pele no processo cicatricial e como orientar sobre o uso correto de cicatrizante.

1. Reforce sobre o tempo de recuperação da pele

O maior aliado do processo saudável de cicatrização é o tempo que deve ser respeitado pelo paciente. Portanto, o médico precisa esclarecer para o paciente a importância de respeitar o tempo de recuperação do seu corpo. Isto porque, como já mencionado, cada local terá um tempo diferente de cicatrização, maior ou menor. 

Em um corte superficial na pele, a camada superficial leva de 07 a 10 dias para fechar, enquanto que a epiderme pode levar até 28 dias, já a camada mais profunda, vai demorar cerca de seis meses. Isso, como sabemos, ocorre porque a produção de colágeno é diferente em cada camada da pele.

Alguns medicamentos ajudam na aceleração do fechamento da ferida, mas os cuidados com a movimentação no local ainda são fundamentais para que haja a recuperação completa, com o mínimo impacto sobre a pele.

2. Alerte sobre problemas causados pela má cicatrização

Exposto a importância de respeitar o tempo de cicatrização da pele, é preciso também alertar o paciente sobre as consequências de um uso inapropriado de produtos ou procedimentos para cicatrização que não tenham sido orientados pelo médico. 

Existem fatores que retardam a cicatrização, como a própria dimensão da lesão, mas também infecção, necrose, falta de oxigenação e uma série de outros aspectos que podem ser causados pelo mau cuidado com a pele, tais como: fazer exercício físico de força no local da lesão, ingerir bebida alcoólica ou fumar cigarro, aplicar pomadas ou líquidos não recomendados, não realizar o procedimento de higienização correta na troca de curativo, ou ainda não trocar o curativo no tempo indicado pelo médico.

Além desses fatores que são causados diretamente pela ação do paciente, há que se ressaltar ainda que a cicatrização pode ser lenta por conta da idade do paciente, do sistema imunológico dele. Se ele for diabético ou possuir uma doença crônica, se estiver fazendo outro tratamento com efeito agressivo, como quimioterapia, entre outras possibilidades, que podem resultar em queloides e cicatrizes hipertróficas.

3. Recomende o uso de cicatrizantes nas etapas do curativo

Após os alertas iniciais, indicar para o paciente o procedimento correto de realização do curativo, de acordo com a lesão que ele possui.

No geral, o curativo é feito em três etapas:

1) higienização da pele e da lesão, corte ou cirurgia com produtos recomendados pelo médico;

2) aplicação de pomada ou líquido (orientação feita de acordo com avaliação médica) na ferida para acelerar o processo de cicatrização; 

3) cobertura do local com gaze e esparadrapo para que não haja contato do local com corpos estranhos que possam infeccionar e retardar a cicatrização.

Além disso, recomenda-se que o paciente também hidrate a pele para diminuir a ocorrência de prurido provocado no processo, ainda indicar algumas medicações em caso de coceira intensa, com o objetivo de evitar que o paciente coce a ferida, abrindo novamente a lesão.

Assim como o uso de hidratante, indica uso de filtro solar, caso o paciente não possa evitar a exposição ao sol da ferida. 

Alertar ainda o paciente sobre a importância de seguir uma rotina de troca do curativo para evitar problemas e sequelas na pele e, principalmente, conscientizá-lo sobre a naturalidade da cicatriz, demonstrando que ela faz parte do processo de cura do corpo. É comum a todo tipo de lesão no corpo, independente do agente causador. 

A presença de uma cicatriz significa que o corpo conseguiu se restabelecer com sucesso da lesão que sofreu, onde o tamanho e forma dela na pele, diz mais sobre o cuidado que o paciente teve ou deixou de ter do que sobre a gravidade da lesão, uma vez que o organismo é programado biologicamente para se recuperar (salvo os casos mais complexos de lesão e de condicionamento do corpo).

Vimos que a orientação ao paciente que está em processo de cicatrização de uma lesão ou cirurgia pode esbarrar em fatores como vaidade e vergonha da cicatriz. Assim, cabe ao médico, antes de orientar sobre o procedimento de uso de cicatrizante, conscientizar o paciente sobre a importância de respeitar o tempo de cura do seu corpo e não fazer consumo de alimentos, álcool, tabaco ou mesmo outras medicações que possam retardar a cicatrização correta.

Expor as consequências dessa atitude é fundamental e serve como informação ao paciente sobre o que pode acontecer se ele não seguir as instruções do profissional qualificado para aquilo.

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