Obesidade

PARA ENTENDER A OBESIDADE É PRECISO DIMINUIR O PESO DO OLHAR

O Brasil sempre teve números altos no quesito desnutrição, porém, de uns tempos para cá, os números mudaram e o país se vê com uma grande população com peso excessivo, beirando a obesidade. Como encontrar o equilíbrio na balança?

“Um corpo é um corpo” essa é uma das frases que se usam para fazer elogios de corpos que são consideráveis atraentes para o padrão ou para gostos pessoais. Mas todo corpo, não é um corpo? Existe algum que não seja? Talvez exista. Existem vários problemas enfrentados por pessoas obesas, problemas pessoais, sociais e de relacionamento, mas certamente o estigma que a imagem tem sobre ela, ganha disparadamente.

A categorização de obeso é atribuída pela quantidade de gordura corpórea em um indivíduo, então, caso haja excessividade para seu peso e altura, você será considerado um humano obeso. Essa quantidade é calculada através da medição do IMC (Índice de Massa Corpórea), estipula-se que ao fazer o cálculo de suas medidas e seu percentual de gordura chegar 30% ou passe, significa um alerta de risco para a saúde e é colocado como obesidade. As doenças que são relacionadas a gordura excessiva no organismo são: doenças do coração, diabetes, pressão alta, derrame, infartos, apneias, artrites etc.  Foi no ano de 2000 que a OMS (Organização Mundial da Saúde) considerou a obesidade como um doença crônica, colocando-a também como uma epidemia mundial para saúde. É fato, a sociedade brasileira está um pouco mais pesada, mas em outra pesquisa, feita pela Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), foi apontado que os brasileiros estão se exercitando mais e reduzindo os alimentos e bebidas com grande níveis de açúcar em sua composição. Com essas mudanças nos hábitos, hoje, há a discussão sobre se a condição da obesidade ser considerada patológica é uma forma da sociedade continuar se impondo com preconceito sobre corpos com excesso de peso, pois em muitos casos, obesos, não apresentam em exames  problemas de saúde e acabam exercendo suas atividades do dia normalmente. Das reivindicações sobre essa condição, nasceu a campanha para que a obesidade deixe de ser doença, com o nome de “Health at Every Size”, – Saudável em qualquer peso, nossa tradução -  estudiosos buscam mudar a forma com a qual enxergam os obesos há anos.

 

Em alguns casos, nos exames de pessoas obesas, são encontrados perfis metabólicos cardiovasculares muito bons, o que é sempre dito pelos médicos é que o sedentarismo é um terrível problema para a saúde, então pessoas acima do peso que se exercitam podem garantir qualidade e anos de vida. A taxa do IMC (Índice de Massa Corporal) pode ser considerada um alerta inicial para o estado de saúde, mas varia para cada pessoa se isso realmente vai resultar e transparecer no desenvolvimento de alguma afecção.

Muitas pessoas estão acima daquilo que seria seu peso “ideal” (para a saúde), mas não estão obesas. Para saber se seu peso se encaixa na descrição de obesidade que passamos, basta se informar de certas medidas e fazer um cálculo: é necessário que você saiba seu peso e altura nas medidas exatas, assim, você irá medir seu IMC  e verificar como está seu volume de gordura, como dissemos, se caso o resultado passar de 30 é colocado como obesidade. É necessário dividir o peso por sua altura multiplicada por 2.

Exemplo:

IMC =

        PESO

­­­­­­­­­­­­­­­­­­        ________________­_

         ALTURA X ALTURA

 

Nas crianças os valores que devem ser observados em IMC são:

CATEGORIA

FAIXA PERCENTIL

Abaixo do peso

Menos de 5 porcentil

Peso saudável

Entre 5 e 85 percentis

Riso de sobrepeso

Entre 95 e 95 percentis

Sobrepeso

Igual ou maior que 95 percentis

 

Nos adultos as taxas são de:



ESCALA DE ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC)

Desnutrição                                                         Abaixo de 14,5 kg/m2

Peso abaixo do normal                                      Até 20 kg/m2

Peso normal                                                        De 20 kg/m2

Sobrepeso                                                           De 25 a 29,9 kg/m2

Obesidade                                                           De 30 a 39,9 kg/m2

Obesidade mórbida (alto risco)            Igual ou acima de 40 kg/m2

 

Um estudo recém realizado por psicólogos de Los Angeles, apontou que o uso do IMC para determinar sobre a saúde é considerável errôneo em muitos casos. Os cálculos realizados em alguns voluntários classificou, incorretamente, 54 milhões de norte-americanos que estavam, na verdade, saudáveis em seus exames de rotina posteriores, mas que foram considerados “doentes” devido sua taxa de gordura no organismo.   A pesquisa mostrou que metade dos voluntários estavam saudáveis e que, inclusos nesse grupo, 20 milhões eram obesos. Outra contradição é de que algumas pessoas magras, com taxa de gordura baixa no sangue, não tiveram resultados satisfatórios em seus exames, apresentando algumas complicações de saúde. 

Isso quebra a crença de que pessoas gordas não estão saudáveis e magras são sempre cheias de saúde. É importante frisar esses dados para que o IMC não se torne tão determinante no processo de avaliação corporal, esse cálculo é derivado da antropometria (trata do corpo humano, mensuração de suas partes e particularidades físicas) que é um dos braços da antropologia, foi no século 19 que passou a ser integrado para definições sociais, estipulando o que seria um “corpo ideal”.

Tenhamos cuidado, essas definições de categorização, principalmente, em casos de aparência, genética e estética já foram usados em conceitos eugênicos onde ocorreram genocídios, colonizações e escravidão determinados pelo fenótipo particular de determinados grupos.

O mais perigoso da gordura em excesso acumulada no corpo, é onde está localizada. Gorduras na parte abdominal são mais perigosos, pois causam mais problemas de saúde por estarem envolvendo os órgãos. No corpo das mulheres, por exemplo, uma cintura que chegue a 89 cm pode aumentar as chances de doenças, nos homens o a medida aumenta para 100 cm. Na etnia asiática o número cai para 80cm para mulheres e 90cm para os homens.

 

NUNCA FOI PREGUIÇA!: AS CAUSAS DA OBESIDADE

O excesso de gordura é o que conclui se a pessoa pode estar obesa ou não, o que leva a essas consequências, podem ser diversos fatores diferentes. No senso comum, acredita-se que uma pessoa acima do peso é sempre alguém que cultiva maus hábitos alimentares e não pratica exercícios para queima de gordura, mas, em alguns casos, pode ocorrer em pessoas que acumulam gordura de maneira excessiva mesmo que não se alimente mal, isso ocorre por problemas no metabolismo, na forma em que o corpo está processando os alimentos ingeridos.  O melhor é evitar comidas muito calóricas, deixando para comer em poucas ocasiões, trazer para rotina comidas mais leves.

Estar com peso excessivo não significa, necessariamente, que a pessoa seja sedentária. Alguns outros comportamentos e questão físicas são bem mais comuns e encontradas na maioria das pessoas, vejamos.

Sono irregular:  Algumas pesquisas sobre a qualidade de sono e condições que poucas horas dormidas traz para o corpo, é mostrado que pessoas que têm menos de 7 horas de sono por dia, consomem em sua rotina 385 calorias diárias, consumindo mais do que quem faz as 8h indicadas por médicos para repouso diário. Isso acaba por afetar o metabolismo que está sempre um pouco mais cansado e tende a ficar mais lento.

Meio social e Financeiro: A OMS (O Ministério da Saúde) desenvolveu uma pesquisa que indica que a obesidade está ligada a escolaridade. Dos brasileiros, 57% que estudaram somente 8 anos, estão com peso excessivo. Os que possuem 12 anos ou mais, a porcentagem cai para 48,4%.

Os medicamentos tomados: Muitas pessoas têm alguns remédios controlados que fazem parte de sua vida. Algumas fórmulas podem conter substâncias que influenciam diretamente no peso, seu ganho ou sua perda. Para mulheres, os anticoncepcionais são uns desses causadores, sua fórmula possui estrógeno que aumenta a facilidade do ganho de peso e inchaço.

 

Desiquilíbrios hormonais: O hipotireoidismo é um dos desiquilíbrios no organismo mais conhecidos popularmente. Isso ocorre quando as glândulas não produzem a quantidade de hormônio suficiente para regular o corpo, desacelerando o metabolismo e diminuindo o gasto de energia. A pessoa fica sujeita a reter mais sal e água, dando um aspecto bastante inchado.

 

Questões Genéticas: Já foram feitos alguns estudos com irmãos gêmeos, nesses casos, foi identificado que para o nosso peso, a genética, influencia entre 40% e 70%. Quando o assunto é acumulo de gordura, nossos genes já nascem com certas tendências.

 

COMER, COMER

COMER, COMER

PRECISA PESQUISAR PARA PODER CRESCER (COM SAÚDE)

O alto consumo de açúcar é um dos motivos para o excesso de peso, a faixa etária de 18 a 24 anos de idade é uma das que mais consomem refrigerantes e outras bebidas adoçadas artificialmente, essas são substâncias que deveriam ser reduzidas drasticamente da alimentação. Alguns alimentos como o açúcar e o sal, estão presentes em grandes quantidades na composição de alimentos que nem percebemos, pois nos atentamos ao gosto para determinar quais são os ingredientes contidos e isso pode nos enganar. Por exemplo: cereal matinal, chás industrializados e iogurtes são alimentos com o sabor adocicado, mas que contém um enorme valor de sódio. Olhar o rótulo dos alimentos é importante para saber o que se está consumindo, com esses produtos industrializados de fácil acesso, cada vez mais estamos substituindo os alimentos orgânicos e mudando nossos hábitos de consumo.

Nós, brasileiros, estamos muito mal acostumados a ver na TV que nosso prato de arroz com feijão é uma das combinações mais nutritivas consumidas mundialmente, mas a conclusão de alguns nutricionistas que avaliam o comportamento alimentício brasileiro é de que, notando os alimentos que ingerimos diariamente, se compararmos com os fast foods, vamos perceber que o PF (prato feito), consumido em restaurantes, está batendo as calorias daquele hambúrguer feliz.  Os PFs são consumidos com uma grande quantidade de arroz, junto do macarrão e outros acompanhamentos que quando finalizada a montagem do prato, sua quantidade calórica vai ser o limite recomendável para ingestão do dia de um adulto. Estamos comendo demais, e ainda justificando essa mistura como se ela fosse benéfica e saudável.  Se ingerirmos 1200 kcal na refeição do almoço, mais 1200 kcal no jantar, e isso tudo, somado as outras refeições e lanches que são feitos ao longo do dia, certamente, ultrapassará o recomendável de energia para uma dieta saudável.

É preocupante o quanto a sociedade brasileira vem se apresentado acima do peso de uns tempos para cá, com isso, alguns problemas de saúde podem ser desencadeados desde a infância, infância que aliás, está em sinal de alerta com o número de casos de obesidade, é estimado que 35% das crianças estão com sobrepeso e 15% já estão obesas, esse dado foi levantado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2017.

Em casos infantis, as situações tendem a ficar mais delicadas para pais controlarem a alimentação de crianças, pois nos ambientes como escola, a lancheira de cada amiguinho pode ser mais atraente do que aquela dieta necessária para saúde. Tentar educar a criança para que desenvolva um paladar para comidas mais orgânicas desde cedo é maravilhoso, seu sistema ainda funciona de maneira mais rápida e assim, podemos esperar um adulto com exames médicos melhores e que fuja de intervenções médicas em cirurgias para redução de peso.

Recentemente, André Marques, 38, artista da Rede Globo, postou em suas redes sociais uma foto de seu antes e depois da cirurgia bariátrica com a seguinte legenda: “No dia 19/03/2013, eu entrava para fazer uma cirurgia que mudaria minha vida. Tinha muito medo de morrer nela. Ouvi meu médico que era mais fácil eu morrer de doenças associadas à obesidade do que da cirurgia. Foi uma decisão difícil, entrei, chorei...amarelei, desisti e depois tomei coragem e lá fui eu”, André perdeu 75 quilos após o procedimento.

Nossos hábitos alimentares e profissões sedentárias, a facilidade de adquirir produtos sem sair de casa através de um clique de aplicativo, são muitas particularidades que estão acabando com a nossa saúde. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) os índices de obesidade cresceram em alto nível nos últimos 35 anos, de 1974 para 2009 houve um salto de 1,4 para 16,6% de crianças em situação de obesidade.

Os dados apresentam que a localidade de maior número com crianças obesas é na região sudeste do Brasil, nos centros urbanos. Regiões que obtém um nível aquisitivo melhor, isso mostra que questões financeiras não melhoram esse tipo de problema, mas, muitas vezes, ao pesquisar o nível de escolaridade, notamos que quanto mais elevado menos a taxa de obesidade, não por uma questão intelectual, mas de um melhor educação alimentar e noções da composição de substâncias, com isso podemos até encontrar crianças obesas nas classes mais altas, porém, desnutridas. Esses tipos de pesquisa que abordam o nível de escolaridade, peso para obter dados de comparação é da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).

 

NEM TODO VILÃO USA MÁSCARA

Conhece aquela frase? “Nem tudo que reluz é ouro”, não vamos saber quem foi o autor ou autora desse pensamento, mas se essa pessoa estava se referindo ao óleo de cozinha, estava mais do que certa.

Ele já é conhecido como um dos vilões da alimentação atualmente. Os óleos já foram muito caros, difíceis de se adquirir, por serem especiarias, antigamente misturados em diversas ervas para dar seu gosto e achar seu ponto exato, era um produto muito caro. Hoje, encontra-se muito barato e passou a ser usado de forma excessiva, presente na maioria dos preparos de alimentos, tanto que para a composição das cestas básicas, geralmente, são incluídos dois frascos.

Ao longo do tempo, com certos acordos em comércios, os óleos foram se tornando mais baratos tanto no campo da importação como o da exportação, assim os subsídios foram baixando, houve aumento de produção, o óleo vegetal foi o que mais se tornou acessível para população.

O excesso de frituras em lanches rápidos ou porções, enxergamos o óleo escorrer nos guardanapos, posteriormente, direto para nosso corpo. Passaram a surgir outros óleos, promessas milagrosas para a saúde que aos poucos vão se desmistificando, um deles foi o óleo de coco que se tornou o queridinho da vez, porém, logo notaram que seu consumo aumentava o colesterol ruim, alguns nutricionistas recomendam que seu consumo seja através de cápsulas com pausas de dias entre cada ingestão, pois o exagero da ingestão pode ativar inflamações no estômago a longo prazo.

Não é à toa que na pirâmide alimentar, os óleos, estão no topo, sendo colocados como os alimentos que devem ter a mínima ingestão no nosso dia a dia. Evitar fritar alimentos, adicionar grandes quantidades de óleos em receitas seria o ideal. Hoje no mercado existem diversos tipos de óleo que não o tradicional de triglicerídeo.

 

O CORPO ESTÁ GORDO, ENTÃO ELE  ESTÁ DOENTE? NÃO! PRECISAMOS REDUZIR ALGUMAS MEDIDAS DO NOSSO PRECONCEITO

Estamos falando sobre obesidade, pois nossa geração está se alimentando muito mal, com os produtos industrializados ganhando mais corredores nos mercados, mais espaços nas prateleiras de lojas de comida e também mais gavetas em nossos armários, a obesidade, é hoje uma preocupação geral de nossa época. Porém, temos que tomar cuidado com rotulações. Ser gordo não é sinônimo de ser doente, assim como a magreza não significa saúde. Precisamos aceitar e, principalmente, respeitar o corpo das pessoas como são, grandes, pequenas, altas, baixas etc. Usa-se a desculpa de preocupação com saúde para julgar os corpos de pessoas gordas, dizendo que seria importante o emagrecimento para melhora de sua saúde e qualidade vida, convenhamos que isso é um assunto particular de todos, e nem sempre aquela pessoa que está “acima de seu peso ideal” (ideal para quem, não é mesmo?), está com a saúde prejudicada.  O corpo da pessoa gorda não é um domínio público, do qual qualquer pessoa tem o direito de comentar sobre o que quiser, mesmo que use uma desculpa de que está ajudando. Sabemos que muitos casos essa “ajuda” não solicitada, é uma forma de preconceito.

Com o padrão de beleza sendo reafirmado todos os dias, devemos nos cuidar para não entrar no transe na estética comercial de TV, onde se cultua o corpo perfeito, colocado sempre o magro, sarado, alto. Vale lembrar, corpo perfeito é aquele que está saudável desempenhando todas as suas funções vitais de maneira plena e satisfatório, em especial, para você que mora dentro dele, assim como cuidamos de nossas casas para morar bem, é muito importante cuidarmos do nosso corpo, seja ele como for, nosso primeiro, único e último lar.